Nota de repúdio sobre a operação da PF na UFMG

 

 

A Diretoria do SINASEFE IFMG torna pública sua indignação com a prática autoritária e violenta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça Federal que, no último dia 6 de dezembro, solicitou, concordou e determinou a condução coercitiva de gestores (as), ex-gestores (as) e docentes da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, em uma operação que apura supostos desvios na construção do Memorial da Anistia, cuja finalidade é salvaguardar a memória dos anos de chumbo da história do Brasil.

Atropelando direitos individuais, membros da comunidade universitária foram levados à força para depor na sede da Polícia Federal numa investigação que transcorre em sigilo, sem sequer ter sido feita uma intimação para depoimento, em claro descumprimento à legislação vigente.

A desmedida ação representa, fidedignamente, o Estado policial instaurado na República brasileira – já trucidada pelos desmandos de um Executivo golpista e, deixa claro o projeto de desmoralização e desmonte das Instituições Federais de Ensino, que caminham a passos largos para sua privatização.

São vários os episódios de perseguição ideológica e política ocorrida neste ano contra gestões, sindicatos e movimentos sociais ligados à educação pública, gratuita e de qualidade.

A recente perseguição ao Reitor da UFSC que optou pelo suicídio e a abertura de inquérito policial contra o Professor da UFOP, André Mayer, por coordenar um núcleo de pesquisa ligado ao CNPQ que estuda marxismo, são exemplos tristes da atual realidade.

Recentemente, até o IFMG foi alvo de ações truculentas e intolerantes por parte do Diretor do Campus Ribeirão das Neves (não eleito) que tentou impedir a realização de uma assembleia dos servidores no Instituto, chegando a cancelar dia letivo para a que a reunião não ocorresse.

Evidentemente, essa onda conservadora se consolida através de programas totalitários como o Escola sem Partido, o qual persegue, humilha e pune professores que abordam política, sociedade, economia e cultura em salas de aula.

Por tais motivos, a direção do SINASEFE IFMG reitera que não recuará e, portanto, seguirá firme na luta neste período turvo vivido por aqueles que defendem, trabalham e acreditam na emancipação cidadã através da educação.